Manila, da turbulência à Maravilha!

Manila, de cara, não me pareceu uma cidade feia. Os contrastes são evidentes e o centro é barulhento, mas achei interessante.

Lembrei do Brasil, com muita gente pobre nas calçadas, crianças pedindo dinheiro e um comércio de rua muito forte. As pessoas com quem conversei foram simpáticas, a comida era boa e eu já nem lembrava muito do meu problema com a mochila.

Durante uma caminhada despretensiosa, um senhor simpático, Sr. Landom, com sua charrete puxada por Rambo, um velho e fraco cavalo, me ofereceu um passeio pela região, passando por Intramuros, que é, na verdade, a cidade antiga, onde está toda a parte histórica da cidade. Combinamos o preço, que seria 30 pesos e seguimos, com ele me explicando tudo. Em determinado momento, ele começou a falar, em tom de brincadeira, que aquela charrete era apenas para turistas, que o cavalo bebia duas cervejas por dia, que ele tinha nove filhos e que estava muito feliz porque eu entendia bem o que ele me dizia. Quando ele repetiu aquilo pela quarta vez, comecei a desconfiar, mas segui o passeio. A surpresa veio no desembarque, quando ele quis cobrar 30 dólares em vez de 30 pesos e ainda achou ruim quando eu disse que aquilo não havia sido combinado. Nesse momento eu olhei para os lados para procurar a câmera escondida. Não era possível que tanta coisa estivesse acontecendo no mesmo dia… a mochila, o taxista e agora esse cara. Paguei o tio, exigi o troco e voltei para o hostel, para esfriar a cabeça e descansar um pouco…

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Os dias seguintes se passaram sem notícias da minha mochila. O máximo que me diziam, quando eu ligava, era que ainda não tinham encontrado, mas que continuavam buscando. A VISA, que havia prometido ajudar e fazer contatos diários, nem sinal de vida deu e eu também não fui atrás, pois já sabia que não adiantaria muita coisa. Aproveitei para tentar consertar minha câmera que havia quebrado, comprei umas cuecas (o auto-reverse já não fazia mais efeito), uma camiseta e realmente não tinha vontade de fazer muita coisa. O tempo estava passando e eu estava na dúvida se ia embora para Palawan, onde visitaria a próxima maravilha natural, ou se ia pessoalmente ao aeroporto, dormir por lá e fazer um barraco para acharem minha mochila ou me darem uma resposta final e uma compensação pelo prejuízo. Depois de pensar bastante (bastante mesmo!), já no quarto dia dessa novela, acordei com a pá virada, como alguns dizem, e optei pela segunda opção. Peguei minhas coisas e voltei ao aeroporto para encontrar meus amigos da Aviacor!

Fui preparado para fazer barraco mesmo e cheguei avisando que a partir daquele dia eu dormiria no sofá da empresa. Os funcionários vieram com o mesmo blá blá blá de antes, que tinham mandado email pra sei lá quem, que tinham telefonado para os aeroportos e que eu deveria esperar mais. Avisei que esperaria, usando o banheiro deles e dormindo por lá.

Dessa vez acho que me levaram mais a sério, pois a cada quinze minutos, vinha um novo funcionário, com cargo cada vez melhor, falar comigo. Ivone, a recepcionista, que a essa altura já era minha amiga, havia me servido sanduíche, pizza, café, etc e assistia a tudo de camarote, enquanto eu repetia a mesma história novamente para cada um que me abordava naquela saleta.

Quando já estava bem cansado e impaciente, uma gerente veio falar comigo e, em tom quase que ameaçador, disse que eu não poderia ficar lá. Eu a avisei que ficaria, pois não tinha para onde ir, afinal a cia. aérea não havia me dado sequer um centavo para eu comprar qualquer coisa ou poder me virar durante aqueles dias. Foi então que ela, achando que resolveria o problema (ou não) me trouxe um documento que dizia que eu tinha direito a vinte dólares de Cingapura (isso mesmo, escrito por extenso para não terem dúvida – aproximadamente R$ 31) como compensação pelo ocorrido. Além do valor ridículo, o detalhe: o dinheiro deveria ser retirado no escritório da Jetstar, em Cingapura e não ali em Manila.

Incrédulo, eu repeti o que ela havia me dito e perguntei se ela estava brincando.  E a resposta foi: “Não, senhor, é isso mesmo”.

Nesse momento eu saí do escritório, fui ao mezanino do aeroporto e discursei em alto e bom som, para todos os passageiros do saguão, por alguns minutos, dizendo o que estava acontecendo e o que eu achava daquela cia. aérea.

Um pouco mais relaxado, voltei e me sentei no sofá. Em três minutos a polícia chegou, em 30 minutos acharam minha mochila e naquela noite mesmo eu embarquei para Palawan, rumo ao rio subterrâneo de Puerto Princesa, para apagar os quatro primeiros dias da minha estada nas Filipinas e começar a mudar minha impressão sobre o país!

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~ por Daniel Thompson, o Mochileiro das Maravilhas em 12 abril 2012.

2 Respostas to “Manila, da turbulência à Maravilha!”

  1. Hahaha! Toda vez tem que vir a polícia para resolver a situação!

  2. Daniel, você fez muito bem em fazer “barraco”!!! Só assim resolveram e acharam a sua mochila”!!! Se ficasse quietinho, até hoje estaria sem ela… Infelizmente é assim, né?

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