Indonésia / Filipinas = problemas

No café da manhã o pessoal do barco veio conversar comigo. O tempo fechado e o vento muito forte atrasariam (ou até cancelariam) a nossa saída. Por um lado eu fiquei feliz, pois não queria ir embora daquele lugar maravilhoso, mas por outro, pensando nos quatro voos que eu tinha pela frente e no trabalho que me daria perder tudo isso, eu fiquei bem preocupado.

O tempo mudou rapidamente e, após me despedir do pessoal que continuaria na ilha, segui pelo frágil pier de madeira até o barco. Florian, o amigo alemão me acompanhou e aproveitou para me convidar para passar um Oktoberfest em Munique. Pois é, como sempre faço, informei-o sobre o lema do mochileiro aqui: “Convite feito, convite aceito!”.

O tempo havia melhorado, mas longe de termos um mar espelhado. Muito pelo contrário, algumas das marolinhas que vinham em direção à embarcação ultrapassavam a altura do próprio barco e o balanço  era bem forte. Eu, que na saída da ilha estava tranquilão, em pose de viajante com vento no rosto, nessa hora sentava quase no chão, agarrado às minhas mochilas e ao barco. Na minha frente uma moça se dividia entre o banco e o saquinho de supermercado, que ia se enchendo a cada onda.

Chegamos a Labuan Bajo e peguei uma moto-táxi ao aeroporto. Com tempo sobrando para o embarque, eu só me preocupava com o voo seguinte, afinal a conexão seria de apenas 50 minutos. Prevenido, eu havia feito o check in antecipado e pedido para sentar na primeira poltrona. Caso desse alguma zebra, apenas teria que me virar para embarcar com o mochilão no voo seguinte. Dito e feito: o voo atrasou quase 25 minutos para decolar e eu cheguei com pouquíssimo tempo em Denpasar. Daí foi correria total. Desembarquei no terminal doméstico e comecei a correr em direção ao internacional. Pois é, Bali cresceu (lembram do post sobre isso?) e o aeroporto também! Fila para o terminal, raio-x para entrar, pagamento de taxa de embarque e eu cheguei no outro raio-x (o de embarque) com todas as mochilas, mostrando meu bilhete. Os funcionários da Air Asia imediatamente se comunicaram com a aeronave por rádio e me deixaram passar, barrando apenas meu canivete suíço, que deve estar curtindo as praias da Indonésia ate hoje. Com ajuda de outro funcionário do aeroporto, consegui descer uma imensa escadaria, e correr até a porta do avião. Todos os passageiros aguardavam a decolagem, devidamente sentados e só o mochileiro, suado, com cara de quem não entendeu nada, fazia barulho. Meu mochilão foi parar num calabouço dos comissários e eu finalmente sentei, respirando fundo, feliz por ter conseguido. Em não mais do que quinze segundos após eu afivelar meu cinto, as portas se fecharam e o avião iniciou os procedimentos de decolagem.

Já em Jacarta, com uma conexão de várias horas para o próximo voo encontrei com Hanna e com Shinta (lembram do outro post?) para um pequeno tour pela capital do país. Não deu tempo pra ver muita coisa, pois o trânsito lá é pior que o de São Paulo, mas pelo menos provei o café mais famoso (e caro) do mundo, o Kopi Luwak, que é feito após um processo complexo onde o Civeta, um pequeno roedor local, come, digere e defeca os grãos antes de serem usados para fazer essa exótica bebida.

À noite embarquei pela Jetstar com destino a Manila com conexão em Cingapura e daí começaram os piores dias da viagem.

Cheguei à capital das Filipinas às 5h50 da manhã e, após ver todos os passageiros retirarem suas malas da esteira, percebi que a minha não tinha vindo. Pois é, eu sempre disse que era muito sortudo disso nunca ter acontecido comigo, mas havia chegado a minha vez.

Um funcionário do aeroporto chegou do meu lado, perguntou qual era o meu voo (apesar dele já saber!) e, já com um papel na mão, disse “é, acho que sua mala não veio. Vamos preencher esse documento e esperar para localizar sua bagagem”. Hem??? Como assim?

Resumindo, a Jetstar não tinha escritório no local e eu fui levado para o segundo andar do aeroporto, para a Aircom, que era a empresa responsável pelos passageiros da Jetstar ali. Eu avisei que esperaria naquele local, até acharem minha mochila, pois precisava dela. O pessoal me convenceu que não adiantaria eu ficar esperando no aeroporto, pois poderiam levar até 48 horas para encontrar minha bagagem, porém eu poderia ficar tranquilo, pois eles me manteriam informado e entrariam em contato assim que encontrassem a mochila. Que ilusão!

Segui para o hostel de táxi e, após desembarcar e bater boca com o motorista, que tentou me roubar, me instalei e abri um chamado na VISA, que era a minha seguradora, através do cartão de crédito. O atendimento inicial foi ótimo e me disseram que me ajudariam em tudo, inclusive me informando diariamente sobre o andamento do caso. Que ilusão (de novo)!

Iludido, tomei um banho, vesti a mesma roupa (claro, não tinha outra) e saí para um passeio para tentar esquecer o problema, mas isso vou contar no próximo post, pois esse já está muito grande! Até lá!

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~ por Daniel Thompson, o Mochileiro das Maravilhas em 2 abril 2012.

2 Respostas to “Indonésia / Filipinas = problemas”

  1. Muito tempo sem rever as pessoas dá nisso…descobri seu blog por acaso no site do Panrotas. Que legal isso que está fazendo. Confesso uma pontinha de inveja masss…uma inveja boa, com certeza. Fico feliz em ver que muitos pensam como eu em relação à vida digamos, “saindo da rotina”. Cultura, conhecimento, historia e principalmente, às amizades feitas nessa “aventura” estarão p/ sempre com você.
    Já virei leitor e vou acompanhando por aqui suas aventuras. Aproveita ai e vamos ver se nos encontramos quando voltar.
    Forte abraço
    Rodrigo Salustiano ( Gabriel TAM Viagens )

    • Grande Gabriel… ou Rodrigo, hehehe!
      Muito legal a sua mensagem. Obrigado!
      É isso aí…se eu não saio da rotina, não consigo viver bem. Recomendo a todos!
      Me mande um email e vamos marcar esse encontro, quem sabe com mais gente da TV também!
      Abraços!

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