Windhoek / Cape Town: uma loooonga viagem!

Arrumei as coisas no hostel, fui até o correio, escrevi um pouco e, depois do almoço, segui para o local da saída do ônibus. O calor era ridículo (sim, essa é a palavra). Sem brincadeira, fazia uns 40 graus. Cheguei cedo, umas 16h30 e o ônibus só saiu as 18h. Tudo bem, por estar lá antes, pude guardar minhas coisas com calma e escolher um bom assento, na saída de emergência, perto do ar condicionado e na janela. Desse lado só sentavam duas pessoas e do outro iam três passageiros. Só esperava agora pra ver quem sentaria ao meu lado…

As pessoas iam passando, olhando e eu imaginando o que elas pensavam. “Hum, mochileiro sujo, não vou sentar aqui!” ou “Eita branquelão feio, sai fora…” Até que Gakiema, uma jovem sulafricana, sem muita opção, com o ônibus praticamente cheio, se sentou. Ela havia passado férias com os amigos e agora voltava pra casa. Fomos batendo papo e as primeiras paradas foram acontecendo. Sempre durando de dez a quinze minutos. A terceira, já bem tarde, foi no meio da estrada. A quarta e a quinta também e quando o motorista reserva passou com um galão de água, vi que a m… tava armada! Resultado: bomba de água vazando e a sexta parada, às 3h30 da manhã foi um pouco mais longa, de apenas 8h30. Bom, daí em diante explorei todo o posto de gasolina onde estávamos, cochilei no ônibus, fui ao banheiro, li, escrevi e o sol nasceu… os grupos de personagens já haviam se formado. Algumas famílias cuidavam das crianças, outros olhavam pro vento, algumas senhoras batiam papo e três ou quatro passageiros que pareciam entender de mecânica se prontificaram a tentar reparar o ônibus. Pô, isso não é pra empresa fazer? Ou então deveriam mandar outro ônibus? Os motoristas que também trabalhavam no conserto diziam que a empresa havia mandado um mecânico. O problema é que isso havia sido há muito tempo e ele não tinha aparecido. Será que tinham chamado um mecânico da Zâmbia? Eu estava tranqüilo, mas a partir de um certo momento, comecei a fazer o papel de chato, perguntando que horas isso seria resolvido, falando que havia várias crianças no local, perguntando se a empresa já tinha mandando outro veículo… mas as respostas não foram muito satisfatórias! Um senhor com cara de europeu e barba bem branca, usando o um terno bege, me chamou a atenção. Era Stefan, um viajante alemão. Conversando com ele, descobri que por lá as coisas eram assim. Os africanos simplesmente aceitavam e esperavam, sem reclamar…

Quando passava de meio-dia, a cerveja já estava rolando e o local parecia um forno de pizzaria, o ônibus ficou pronto. Alegria geral e reembarcamos. A partir daí, qualquer redução de velocidade sem razão clara era motivo de pânico, mas nada mais aconteceu. Cheio de novos amigos, segui, acompanhando o desembarque do povo pelas cidades do caminho. Quando, já de madrugada, chegamos a Cape Town. Pois é, a viagem que deveria durar no máximo 18 horas, havia durado 30. No centro e Cape Town, apenas 10 passageiros ainda estavam no ônibus, e nos dividimos para pegar taxis até as acomodações. Segui com Stefan e mais um rapaz, que desceu antes. Stefan, que supostamente ainda pegaria um trem para uma cidade próxima, teve que dormir em Cape Town. Sugeri que fosse comigo pro hostel que eu tinha reservado. Quando chegamos lá, nada de abrirem a porta e o segurança da rua nos ajudou ligando para o dono do hostel. Steve, o dono, veio nos atender com cara de sono e descabelado. Nada mais justo, pois o relógio já apontava 2h da madrugada. Ele nos disse que só tinha uma cama sobrando, quando notou nossa cara de desespero e lembrou que 2 pessoas haviam saído, por sorte, durante aquela noite. O ajudamos a preparar o quarto e após um rápido banho, desmaiei!

Em breve tem mais, com minha visita à primeira Maravilha da viagem!

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~ por Daniel Thompson, o Mochileiro das Maravilhas em 11 janeiro 2012.

5 Respostas to “Windhoek / Cape Town: uma loooonga viagem!”

  1. Legal Dan ! Que aventura… Bem ao estilo do mochileiro. Boa curtição por aí. Bjo Rô,Sam e da sua afilhada (cada dia mais linda !)

  2. Caracas… que perrengue… já passei um desses indo para Salvador de ônibus. Uma aventura, mas conheci várias pessoas nas 10 horas que ficamos parados.

    Abs e boa viagem!!!!

  3. Afe… Haja coragem para enfrentar tudo isso! Mas sei que vale a pena. Bjs.

  4. Nossa! Quanta aventura!!! Vai fundo, Mochileiro!!!
    Você lembrou de contar para o senhor de barba branca e terno bege que seu bisavô materno (pai da Omama) chamava Stephan?????
    Beijos.

  5. Tem vídeo desse perrengue todo no ônibus? Primeira grande roubada da viagem, né? Tava na hora…..três semanas de sossego, pô! Acho que o mecÇanico que mandaram andou enfiando a cabeça em lugar errado (ref. post acima) e deceparam-na, hehehe

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