Surfando em Sofás

Já ouviu falar no Couch Surfing? Ao pé da letra a tradução seria “Surfando em Sofás”. E a verdade não é muito diferente disso…

Surfando Sofás

 A maior rede de intercâmbio de sofás do mundo já atingiu mais de 1 milhão de adeptos ao redor do planeta e vem fazendo com que pessoas de todos os lugares recebam viajantes e se hospedem na casa de pessoas desconhecidas.

O Brasil já tem quase 30 mil inscritos no Couch Surfing (inclusive eu), então, nada melhor do que um especialista no assunto para explicar um pouco do que é o Couch Surfing e contar sobre suas experiências recebendo turistas e também se hospedando na casa deles!

Got Couch?Anselmo, 30 anos, viajante, publicitário e blogueiro, amante do mundo, adepto e defensor do Couch Surfing, já tem um sofá garantido para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul e conta um pouco de suas experiências aqui:

Não lembro ao certo quem me apresentou o Couch Surfing, mas logo de cara já curti muito a idéia: ser hospedado por nativos nas cidades que iria visitar, sem nenhum custo. 

A idéia do http://www.couchsurfing.org/ é muito simples: você cria seu perfil (como nos outros sites de relacionamento – Orkut, Facebook, etc) e, através de um sistema de busca, solicita um lugar na casa de outro membro, onde quer que você queira ir. 

Couch Surfing não é, entretanto,  apenas para descolar acomodação na faixa. A idéia principal do projeto é trocar experiências, conhecer pessoas e culturas novas de todas as partes do mundo.

 Minha primeira experiência foi em agosto de 2008, quando resolvi voltar para Londres. Já havia morado lá há 5 anos e queria muito rever alguns amigos. Só que consegui tirar 26 dias de férias, então acabei passando por outros 4 países: País de Gales, Irlanda, Irlanda do Norte e Escócia. Utilizei o Couch Surfing e consegui estada em Bath, Manchester e Liverpool (Inglaterra), Cardiff (País de Gales) e Belfast (Irlanda do Norte).

Anselmo na casa dos amigos Bob e Alice no País de Gales

 Todas as pessoas que me hospedaram foram incríveis. Me trataram como se eu as conhecesse há tempos, me deixando muito à vontade. O mais engraçado que, de todo mundo que eu comentei sobre o Couch Surfing, os brasileiros foram os que mais se preocuparam com a questão da segurança.

 O site tem umas sacadas muito boas. Existem “níveis de verificação”, que são simbolizados por cadeados e variam do zero ao três. No nível zero (cadeado aberto), o membro não confirmou nenhum dado ao site. Os níveis seguintes dependem do tanto de informação que você disponibilizou ao sistema. No nível 3, por exemplo, o membro confirmou, além do email, o nome e o endereço. Essa confirmação é feita atráves do pagamento de uma taxa simbólica ao projeto (cerca de US$10,00), via cartão de crédito. Esse dinheiro é revertido para manutenção do site, que não é pequena.

 Além disso, você também pode (e deve) escrever uma referência sobre a pessoa que te acolheu ou que você recebeu. Essa referência pode ser positiva, neutra ou negativa e pode ser acompanhada de algum depoimento. Essas referências acabam sendo fator primordial na escolha de um sofá, uma vez que nelas você pode ver o que outras pessoas acharam de determinada pessoa.Anselmo e a finlandesa Kato

 A confiança dos europeus é tão grande que chega a beirar o impensável para nós brasileiros. Comigo aconteceu algo, no mínimo, curioso. Estava a caminho de Belfast quando decidi checar meus emails. Havia uma mensagem do Neville, que iria me hospedar: ele havia esquecido de um compromisso que ia ter, bem no dia da minha chegada,  mas, mesmo assim, não cancelou comigo. Ao chegar na casa dele ele se apresentou, mostrou toda a casa (abriu a geladeira e disse: “Tem cerveja aqui, sirva-se à vontade.”), deixou minhas coisas no quarto em que eu iria dormir e falou: “Aqui está a chave da casa. Quando for embora, jogue-a pelo buraco das cartas na porta. Curta Belfast! Tenho que ir agora! Tchau!”. E, assim, me deixou sozinho na casa dele.

 Outro fato interessante é que fui hospedado por mulheres que moravam sozinhas. Melanie e Laura (de Manchester e Liverpool, respectivamente) nem hesitaram ao ver meu pedido de “couch”. Ambas foram super legais e em momento algum mostraram insegurança ao hospedar um brasileiro até então desconhecido. 

Foi por essas e outras que, quando voltei ao Brasil, decidi que iria retribuir o que recebi durante minha viagem. Não demorou muito para as primeiras solicitações começarem a chegar. Até agora já recebi 15 hóspedes: duas irmãs da Venezuela, um casal da África do Sul, um brasileiro que mora na Espanha, uma finlandesa, um israelense, dois americanos, dois colombianos, um casal da Argentina, um brasileiro de Campinas e uma brasileira que mora nos Estados Unidos. Todos foram incrivelmente legais, gentis e educados. 

Colombianas em dose dupla - Maribel e Marisol com Anselmo

Sempre que foi possível levei meus hóspedes para conhecer alguns lugares em São Paulo: do movimentado Mercado Municipal e Rua 25 de Março ao Parque do Ibirapuera e Cidade Universitária. Ah, sim! Também houve aqueles que queriam conhecer a noite paulistana! E lá fomos nós beber umas cervejas nos bares de São Paulo. 

No entanto, não é obrigatório ter que hospedar outras pessoas. Quem achou legal a idéia, porém não tem condições de receber um outro membro, pode alterar seu status para “Free for a coffee or drink”, por exemplo. Isso ajuda na imersão daqueles que moram com os pais ou outras pessoas que não aceitariam a idéia de ter um estranho na sala de casa. 

Assim como no Orkut, o Couch Surfing também conta com comunidades. A comunidade “São Paulo”, por exemplo, é um ponto de encontro para os couchsurfers dispostos a trocar experiências e idéias com outros membros. Existe até um encontro semanal, realizado todas as terças-feiras, em um bar na zona sul da cidade. 

Como havia comentado anteriormente, o Couch Surfing é mais do que achar acomodação de graça. É conhecer gente nova, de uma cultura diferente (ou não) da sua e ampliar seus horizontes. É abrir a mente e notar que ainda existe uma forma de nos relacionarmos com estrangeiros abrindo a porta da nossa casa, sem nenhum ônus. É, acima de tudo, criar vínculos e amizades que irão marcar nossas vidas para sempre.

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~ por Daniel Thompson, o Mochileiro das Maravilhas em 2 junho 2009.

3 Respostas to “Surfando em Sofás”

  1. Esqueceu de comentar que foi eu que te dei um empurrazinho para entrada no site…rsrsrs
    E que fiquei hospedada na sua casa tb.
    Eu amo esse site,ja aconteceu comigo o fato de me darem a chave e a cama principal da casa, melhor viajem que ja fiz….
    Ah quanto a ficar hospedada na casa do Anselmo nao foi tao ruim, mas se ele tivesse comentado ai,diria algo melhor…rsrsrs
    Te adoro.

  2. Boa Tarde,

    Gostaria do contato do responsável pela publicidade do site!

    Obrigado.

    Kalyl Rachid

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